terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Geração 1975/1980 e o estado na Nação!?

Começo por comentar o titulo deste artigo, que de facto é exclamativo e interrogativo em simultâneo, devendo-se esta minha adulteração ás regras gramaticais do bom português, pelas duvidas que insurgem sobre qual o verdadeiro sentimento da geração nascida entre 75 e 80, no que se refere ao estado da nação.

Nada melhor do que falar do que conheço fidedignamente... Eu mesmo!

Nascido em 1977, dois anos depois da “grande” revolução dos cravos, fui estudante até 2004, tendo iniciado o meu percurso de trabalhador a tempo inteiro nesse mesmo ano, passando 27 anos com os “livros debaixo dos braços”.

Durante o meu enorme ciclo oficialmente formativo, as questões da Nação passaram-me um bocado ao lado, atribuo este desinteresse a duas razões fundamentais.

Primeiro, nunca senti as reais dificuldades económicas que em outros tempos se sentiram, levando sempre os estudantes a reivindicar qualquer direito ou alteração às regras que provocassem directa ou indirectamente um aumento dos custos mensais inerentes à actividade de estudante. Estou certo de que “a necessidade aguça o engenho”, e que a grande parte da velha guarda politica deste País passou por dificuldades com as quais eu nunca tive contacto.

Segundo, o consumismo, com origem na libertação do regime e da abertura das fronteiras e mercados estrangeiros para o nosso território, alterou socialmente a noção de “cultura geral”, passando esta a ser mais “cultura de marca e consumo”. Ou seja, foi durante o meu período universitário, muito mais relevante perceber quais as maiores e melhores marcas de cerveja, carros, computadores etc., do que entender qual o sentido das escolhas que fui fazendo.

Com o passar dos anos, trabalhando, sendo Pai, criando barriga e olhando para aquilo que sou, e que criticas poderei tecer ao estado do País que me acolhe fico com mais duvidas do que certezas.

Tenho a sensação que nesta matéria sou forçado a passar por um período de “adolescência consciente”, esperando a partir daqui ir substituindo as duvidas por outras na mesma medida em que encontro respostas.

Parto agora para uma nova etapa de consciência social, ”a forma com a qual o homem lida com as regras que regem a sua vida, como organiza e dá sentido ao que é vivido colectivamente, ou seja, organizando e dando sentido à vida social ou ao viver em sociedade”.